Amamentação: as delícias e as dificuldades

Blogagem Coletiva
Selinho by Joana Heck

A amamentação era um tema que não estava na lista dos meus favoritos durante a gravidez. Era algo que eu sabia que ia vivenciar, mas não imaginava como seria. Ou melhor… quando eu pensava no assunto acreditava que seria algo natural, imediato e tranquilo.

Eu estava enganada. Sim, amamentar é algo natural, faz parte da natureza humana e da nossa condição de mamífera. No entanto, não é imediato e muito menos tranquilo. Pelo menos não o tempo todo.

O Vítor nasceu de parto normal e logo veio para o meu colo. Contudo, eu estava absolutamente esgotada depois do trabalho de parto, então fiquei um pouco com ele e nem perguntei sobre a possibilidade de amamentar naquele instante.

Quando ele foi levado pelo pai para o quarto tivemos a oportunidade de experimentar a amamentação. Uma enfermeira me ajudou a posicioná-lo e deu tudo certo. Ele mamou por alguns minutos e adormeceu no meu peito. Foi a nossa descoberta como mãe e filho.

Ficamos menos de 24 horas no hospital e durante esse período não tive problemas com a amamentação. Na verdade era necessário acordar o Vítor para mamar, pois se deixasse ele dormiria direto. Apesar disso, perdeu pouco peso, apenas 100 gramas que foram recuperadas já nos primeiros 3 dias.

Ele sempre pegou o peito direitinho. Tem a famosa “pegada” que as enfermeiras e os médicos falam. Porém, já na primeira semana tive que pedir para a minha mãe correr na farmácia para comprar uma pomada, pois meu seio estava começando a rachar.

Eu sentia muita dor, tanto que torcia para a próxima mamada demorar o máximo possível. Mesmo assim eu não deixava de amamentar sempre que meu filho pedia. Aqui em casa a livre demanda ERA lei (já explico porque não é mais assim que funciona).

Dois ou três dias depois a dor aliviou e consegui ficar mais tranquila para alimentar meu filhote (e que menino guloso, tenho que dizer!). Comecei a curtir o ato de amamentar e esse ficou sendo nosso momento máximo de intimidade e cumplicidade.

Tudo estava lindo e maravilhoso até que chegou A noite. Sim, a noite que fiquei com meu filho pendurado no peito praticamente o tempo todo.

Foi super cansativo, tanto pelo lado físico quanto pelo emocional. Chegou uma hora que quando ele estava mamando eu chorava (de cansada e de dor). Quando eu o tirava ele que chorava. E foi assim até às oito da manhã.

Eu pensei em todas as possibilidades (e em várias bobagens também): que meu leite não era suficiente, que ele poderia estar com alguma dor e mamava para tentar aliviar, que eu não tinha mais leite, que eu era uma péssima mãe por não conseguir amamentar meu bebê e várias outras coisas.

E foi depois dessa noite que o NAN entrou na nossa vida. E ele veio acompanhado da mamadeira, pois leite em seringa ou copinho não rolou aqui em casa.

Foi uma decisão difícil, carregada de culpa e que levou embora minha vontade de amamentar exclusivamente até os 6 meses. No entanto, o desgaste e a dor me venceram.

Felizes para sempre com a mamadeira? Não, muito pelo contrário. Quer dizer… as coisas melhoraram sim, porém tento dar leite artificial apenas uma ou duas vezes por dia, geralmente como complemento. Então o esforço é diário para que o peito seja suficiente e quem sabe a gente consiga largar o NAN em breve.

De qualquer forma, eu já me livrei da culpa. Aceitei que o que importa é meu filho manter seu ritmo de crescimento e se desenvolver com saúde.

Agora sobre a livre demanda. Desde o início eu tentei seguir o ritmo do Vítor, tanto de dormir quanto de mamar. Acontece que ele começou a trocar o dia pela noite. Exatamente. O mocinho fica acordado e grudado no peito até às 4, 5 da manhã e depois dorme feliz da vida de pancinha cheia até o meio dia. DI-RE-TO.

Ele dorme 6, 7 horas seguidas, mas de manhã, não de noite, como a mamãe e qualquer ser humano gostaria. Então a conclusão foi: precisamos de uma rotina. URGENTE!

Começamos essa semana uma tentativa de ajustar os horários. Então bye bye livre demanda (pelo menos temporariamente). Estamos regulando as mamadas para de 3 em 3 horas.

Claro que sou flexível e não vou deixar o Vítor chorando de fome. Contudo, quando ele começa a resmungar eu tento enrolar. Coloco no berço e dou corda no móbile (malditos móbiles de corda) ou se o tempo estiver bom dou uma voltinha de sling com ele na rua. Geralmente funciona.

E para fechar o texto fica a minha definição do ato de amamentar em uma palavra: entrega.

Entrega ao tempo. Entrega ao amor. Entrega ao meu filho.

* Aqui vou montar a lista de blogs participantes da blogagem coletiva. Quem for participar é só deixar um comentário com o link 😉

1 + 1 são três
A mamãe chegou!
AMS Brasil
Casa da Ju
Closet da Helô
Coisa de Mãe
Coisas de Menino
Coisas de Tati
Descobertas
Diário de uma mãe polvo!
Diversão em família
Educar com Carinho
Eu e Meu Universo
Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho!
Eu quero mais
KTRALHAS
Mãe do Bento
Mãe Perfeita
Mamãe do João Pietro
Minha vida com Maluh
Mulheres Mães
Olá enfermeiros!
O mundo de Vicente
Para quem vai chegar
Se for assim, tá bom!
Sempre juntas!!! Doce Sophia
Sou mãe pra valer
Super Duper
Sylvia & Bruno
Tagarelices de uma filha, Pensamentos de uma mãe
Universo Materno
Um espaço para chamar de meu
viciados em colo

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39 ideias sobre “Amamentação: as delícias e as dificuldades

  1. Sarah

    Gostei muito do seu texto Ananda, bem real e transparente! Amamentar é entrega mesmo, bem definido.
    A rotina é importante sim. Não apliquei a livre demanda simplesmente porque não a conhecia quando amamentava, então também segui o esquema de 3-3h (aproximadas). Mas, ao mesmo tempo, a rotina começa a funcionar mesmo quando os bebês já são um pouquinho maiores. Nos 3 primeiros meses é tudo meio bagunçado mesmo, eles não entendem horários.
    O que eu fazia era deixar a casa bem clara durante o dia, com os barulhos normais do nosso cotidiano (máquina de lavar roupa, aspirador de pó, telefone, tv, conversas). Nada exagerado, claro, mas tentava manter o dia-a-dia comum. Por volta das 18h começava a silenciar a casa, deixá-la mais escura. Umas 19h dava um banho morno e depois das 20h ele já ficava no quarto. Aos poucos eles aprendem a diferenciar o dia da noite.
    Por fim, não desista de amamentar! É difícil, exaustivo, mas ao mesmo tempo, traz tantos benefícios… além da troca de olhares, calor e carinho.
    Ah, já ia esquecendo, já fiz meu post para a blogagem tá? O link está aqui: http://maedobento.blogspot.com/2011/05/blogagem-coletiva-amamentacao-as.html
    beijo!

    Resposta
  2. Nivea Sorensen

    Ananda,
    Parabéns, não é fácil. Eu e Erik estamos só nas mamadeiras (hoje sei que foi o melhor para nós dois e não me arrependo), mas ainda lutamos para criar uma rotina. Ele NUNCA dormiu por mais do que 3 horas seguidas (e 3 é mesmo muito raro), de manhã ou à noite. Sonho com dia que serão 6.
    Beijos nossos,
    N.

    Resposta
  3. Livia

    Adorei o seu texto.
    Parabéns pela iniciativa da blogagem coletiva!!!

    Estou participando!!!
    Passe por lá para ler…

    Beijos!

    Lívia.

    Resposta
  4. Bia Bihari

    Vc definiu bem, amamentar é entrega, doação pq é sim muito cansativo.
    Quanto a culpa, eu demorei pra me separar dela, acho inclusive que insisti na amamentação exclusiva e em livre demanda por quase 4 anos por conta dela. Minhas meninas tb mamavam muito a noite, praticamente a noite toda penduradas em mim. Foi exaustivo. Hoje, aprendi, a duras penas, que eu sou a melhor mãe posso ser pras minhas meninas. Xô culpa. Siga o que é possível para você. Siga o seu coração 🙂

    Resposta
  5. Aretusa Reis

    Oie, tudo bem? É primeira vez que venho aqui, então vou me apresentar, meu nome é Aretusa, sou mamãe da Sophia de 2 anos e meio e ela mamaou por 1 ano e 4 meses, bom né, mas não se iluda, não foi nada fácil.
    Bem estou aqui porque fiquei mexida com tudo isso que tá acontecendo, com essa história do mamaço, tem gente beatificando a amamentação, tem gente vulgarizando. E não é nada, nada disso. Essa entrega que você falou não é nada fácil, mas não me faz melhor do que nenhuma outra mãe – até porque tenho que ser a melhor mãe que posso ser pra Sophia, e isso basta.
    Bem, tenho algo escrito, mas talvez escreva de novo, mas queria deixar aqui minha vontade de compartilhar o que vivi, tudo bem?
    Beijocas.
    Aretusa, mamãe da Sophia

    Resposta
    1. nandaetges Autor do post

      Claro, o melhor da blogosfera materna é compartilhar as nossas experiências 😉 Beijão!

      Resposta
  6. Angela

    Olá Ananda, cheguei aqui através do site No mundo do Vicente. Fazia tempo que queria falar sobre o assunto, mas só agora encontrei a oportunidade de dividir a minha experiência e resolvi participar da Blogagem coletiva também !
    Abraços

    Resposta
  7. Ivana Luckesi

    Que relato lindo, sincero e profundo! E tenha certeza de que você fez o melhor para o seu filho, viu? Não vale a pena sentir culpa, ela só destrói a nossa auto-estima! Continue em frente, amando muito o seu filho, isso que importa!

    Obrigada pela oportunidade que você deu a todas as mães de revelar as suas experiências! Vamos todas juntas, uma aprendendo com as outras!

    Bjos!

    Resposta
  8. Julia

    Flor, antes de mais nada eu queria agradecer por vc ter feito o convite pra participar, eu fiquei o dia todo ensaiando um post pra essa blogagem super especial mas não consegui fazer, me desculpe.
    Aqui pra nós a amamentação foi algo totalmente traumático, meu leite NÃO desceu, eu não tive leite pra alimentar a Yasmin, e acho que se fizesse um post seria um deserviço a amamentação, ela mama exclusivamente LA por causa disso, não era minha vontade, nunca esteve nos nossos planos, mas foi o que aconteceu, e acho que por ser um assunto que eu fico chateada por não ter dado certo, eu não sei colocar pra fora o que aconteceu conosco. Me desculpe mesmo, pq o tema da blogagem foi ótimo, e outra coisa, eu fico com receio de assustar as novas mamães com a minha história, pq realmente, além de não ter leite, meus mamilos ficaram destruídos, enfim, amamentar foi algo muito traumático pra nós.

    Mas adorei seu relato, super sincero, verdadeiro, cheio de transparência, e querida, eu também sou do clube das que odeiam móbiles de corda, hauahuaha.

    Um beijo

    Resposta
    1. nandaetges Autor do post

      Malditos móbiles! Hehehe!
      Ah Juu, não faz mal que não deu pra escrever. De vez em quando não adianta… o texto simplesmente não “nasce”. Que bom que passou aqui para dar uma conferida na blogagem!

      Beijos 🙂

      Resposta
  9. Sandra Kautto

    Meninos são gulosos…sei exatamente sobre o que você fala. Meu pequeno Elias nunca durante os 3 meses fora do útero nunca dormiu mais de 3h seguidas, NUNCA. Também vencida pelo cansaço físico e emocional já tentamos a mamadeira, o NAN, a chupeta, a enrolação, e nada funciona. Tudo é rejeitado com a segurança de quem sabe o que quer, no caso dele PEITO. Já chorei, já reclamei, já li, já pesquisei e finalmente me rendi. Sei que vai chegar o momento em que ele não irá necessitar do peito com tanta frequência, enquanto isso vou me enchendo de paciência e amor para viver essa fase.
    O bom é que ele, ao contrário do seu pequeno, não troca o dia pela noite…dorme durante a noite, claro que acordando a cada 2h e algumas vezes a cada 1h (como ontem). Mas, como você mesmo disse: é preciso muita entrega para viver esse momento em sua plenitude!!!

    Beijos

    Resposta
  10. Sofia

    Olá
    Adorei o seu texto e estou a gostar muito desta blogagem colectiva. E foi através dela que te conheci 🙂 e já estou a gostar muito do seu blog.

    Por falta de tempo vou, lá no meu cantinho, só relembrar um post sobre o assunto que para mim descreve a minha realidade como mãe que amamenta (é se calhar é batota mas me desculpa tá… estes dias estão dificeis para postar mais).
    E não há nada que me faça sentir mais eu que amamentar, já lá vão 20 meses, um inicio dificil mas desde então é uma delicia.

    Resposta
  11. Marcia Pergameni

    Oi Ananda!!! Tb ficava com receio as vezes de sufoca-los, mas sempre me aperto um pouquinho!! As vezes nem me lembro como ele foi parar na cama, quando conseguimos coloca-lo no berço!!! Sono!!!

    Resposta
  12. Tuka Siqueira

    Também apliquei a livre demanda só no primeiro mês, depois fui ajustando as mamadas para inserir uma rotina. Uma casa com muitos bebês não pode se dar ao luxo de não ter uma rotina. Aqui ou seguimos um certo roteiro pré-programado, ou nada funciona!

    Parabéns pelo sucesso da blogagem e obrigada pela oportunidade de participar.

    Resposta
  13. Naira

    Eu sempre gooosto muito de falar sobre amamentação, aprendi muito e acredito que deve ter muitas futuras mamaes por aí se informando tb. Com certeza nossos posts coletivos de alguma forma podem ajudar!
    Adorei poder participar, mesmo atrasada! rsrsrs

    Um abraço pra vc!

    Resposta
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  15. Marusia

    Oi, Ananda,
    a ideia da blogagem foi maravilhosa. Tantos relatos, tantas experiências, muito compartilhamento, muita sinceridade. Desejo tudo de bom para você e o Vítor, que a amamentação conte com cada vez menos dificuldades e mais delícias!
    Beijos,
    Marusia

    Resposta
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