A coluna do meio

Acompanhei alguns posts (aqui e aqui, por exemplo) que repercutiram a entrevista da filósofa francesa Elisabeth Badinter nas páginas amarelas da Veja do dia 20 de julho. Ela defende que a mãe perfeita é um mito. Na entrevista Elisabeth declara:

“Movidos por ideologias as mais variadas, feministas, ecologistas e intelectuais que eu combato tratam de sedimentar no caldo cultural do século XXI a idéia de que, uma vez mãe, a mulher deve enquadrar-se em um modelo único, obedecendo a dogmas que, de tão atrasados, sepultam os avanços mais básicos trazidos pela industrialização. Estou falando de pessoas que torcem o nariz para as cesarianas e chegam a fazer apologias do parto sem anestesia, sob o argumento de que há beleza no sacrifício feito em nome dos filhos já no primeiro ato. Demonizam o uso da mamadeira e até o da fralda descartável. Para essa gente, as mães nunca devem estar indispostas para suprir as necessidades de sua prole. Essa pressão só causa frsutração e culpa nas mulheres.”

Percebi opiniões de um lado e de outro na blogosfera materna. Mas o texto que mais chamou a minha atenção foi o da Carol Passuello, do blog Vinhos, viagens, uma vida comum… e dois bebês!, com o título “tem que” nada.

A Carol questiona a existência de uma coluna do meio, um espaço onde é possível circular entre as diferentes ideias quando o assunto é maternidade.

Eu penso que existe sim esse espaço, no entanto talvez ele fiquei ofuscado com tantas “bandeiras”. Parto normal X Cesárea. Amamentação X Complemento. Consumo X Sustentabilidade. Uma coisa ou outra. A turma do meio acaba sufocada com tanta opinião.

O Vítor nasceu de parto normal, mas quase cedi a uma indução por ansiedade (e assim passei a entender as mães que acabam optando por uma cesárea). Amamento com todo amor, porém sinto falta da liberdade de ter um dia só pra mim, sair para trabalhar sem me preocupar com a hora que meu filho vai sentir fome. O pequeno tem carrinho, bebê conforto, cadeirão e diversas roupas de segunda mão. Entretanto, também gosto de marcas e já comprei para ele coisas da Gap, Adidas e Puma.

Não me considero contraditória, apenas vivo a minha maternidade real. Uma maternidade feita de escolhas conscientes e de liberdade. Espaço para errar, para acertar, para mudar de opinião quantas vezes eu quiser. Tudo por amor. Amor pelo meu filho, meu marido e minha família. Amor por mim.

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5 ideias sobre “A coluna do meio

  1. Camila

    Querida, adorei o seu post! Eu já me achei da coluna do meio, mas atualmente me sinto da minha própria coluna, sabe?! Sou capaz de analisar e julgar o que é melhor para mim e para a minha família. Já abandonei os orgânicos faz tempo e dou McDonald´s para os meus filhos nos finais de semana. Alguém quer julgar? Fique à vontade, mas como comentei lá no blog da Carol, os exemplos vivos que os meus filhos são me mostram que estou tomando decisões acertadas.
    Bjos,
    Camila
    http://www.mamaetaocupada.com.br

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  2. Sarah

    Também vou por aí Ananda. Sigo ouvindo, lendo e colhendo opiniões das mais variadas, que me ajudam a ver outros lados. Concordo com alguns pontos, discordo de outros e assim vou encontrando meu equilíbrio. Coluna do meio sim, nem tanto lá nem tanto cá. E assim encontramos nossa forma de maternar!
    bjos

    Resposta
  3. Funny Paper

    Cada mãe é única e cada filho tb!! Acho que cada mãe deve fazer o que acha melhor e necessário para seu filho, mas concordo que muitas ultrapassam esses limites e se misturam com eles deixando de viver sua individualidade.

    Bjs

    Sil

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  4. Mariana - viciados em colo

    olá,
    obrigada pela visita e pelo comentário! passei o olho geral e achei o seu blog lindo, vitor é um fofo!
    sobre a filósofa: publiquei uma entrevista dela no ano passado sobre amamentação. não concordo com tudo, mas tem pontos que ela aborda que consigo identificar na vida real, por exemplo: a situação de longo prazo das mães que se dedicam exclusivamente aos filhos, esta imposição de modelos que parecem mais compra casada que nos enchem de culpa sem necessidade. de tudo que li o que mais gostei foi o “tem que” de carol.
    valeu!

    Resposta

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