A educação nossa de cada dia

Um dos maiores desafios da maternidade, na minha opinião, é educar. Não no sentido de transmissão de conhecimento, de ensinar cores, letras e números. Mas, essencialmente, na transmissão de valores, no acompanhamento da constituição de personalidade e identidade e, ainda, na educação de limites.

Tenho tido problemas com o Vítor no que se refere aos limites. Justamente por ter uma personalidade forte, ele tem dificuldade na hora de expressar as suas vontades. Sem saber como lidar com os próprios sentimentos, acaba extravasando com agressividade.

Ele morde, chuta, belisca. Não apenas quando está frustrado ou quando recebe um “não”. De vez em quando acontece aparentemente “do nada”, sem nenhuma motivação perceptível.

Tudo começou quando ele tinha mais ou menos um ano, na escola. Ele mordia os colegas. Desde então, foram várias abordagens e diversas fases, algumas mais tranquilas, outras nem tanto. Agora, com quase dois anos, o que tem sido mais frequento é o ato de beliscar.

Confesso que depois de tanto tempo lidando com a situação eu me sinto cansada. Praticamente um ano de muita conversa, explicações, alguns castigos e sim, algumas atitudes agressivas também da minha parte, das quais eu me arrependo e me culpo pela falta de controle.

É uma batalha diária. Eu quero muito ser uma boa mãe, eu me entrego ao máximo aos meus filhos, desejo que eles sejam pessoas legais e felizes. No entanto, cada vez que eu recebo do Vítor um tapa no rosto parece que vai tudo por água abaixo. Eu perco o chão… não sei mais como lidar, é algo que tem me deixado muito frustrada.

Enfim, precisava desabafar e quem sabe assim encontrar força, ideias, experiências, enfim, algo que me ajude a tentar de novo.

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15 ideias sobre “A educação nossa de cada dia

  1. Paula Carvalho

    Não sei se queria uma opinião, mas fiquei com vontade de te escrever. Tem horas que a gente se assusta mesmo com a agitação dos meninos, não sou psicóloga, mas queria te dizer para não se cobrar tanto, muitas vezes trata-se apenas de uma fase, que de repente passa, feito mágica. Não é como você reage, ele simplesmente precisa amadurecer e aprender por conta própria a lidar com algumas frustrações e ansiedades. Teus filhos estão lindos, uns fofos. Grande abraço.

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    1. nandaetges Autor do post

      Oi Paula! Quero muito trocar experiências e conhecer diferentes opiniões. Afinal… tem momentos que a gente se sente bem perdida e quase sem forças… Em relação às mordidas e agressões está sendo assim comigo. Obrigada pelas palavras! Na torcida por passar logo… Beijos!

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  2. Julia

    Olá, sei o que você passa, o meu filho tem 2 anos e 5 meses e agora já estou mais tranquila, mas tivemos uma fase realmente complicada. Ele adorava o desenho Kung Fu Panda antes de um aninho e sempre reproduziu tudo! Eu tentei evitar que ele assistisse mas ele gosta mesmo de lutas, então resolvi essa questão de maneira diferente. Sempre sendo muito séria se ele batesse em mim ou em alguém da família (não tínhamos crianças pequenas por perto) e o pai também me dando apoio, explicamos muito e muitas vezes que não podia acontecer aquilo, colocava de castigo e ele acabou assimilando, tanto que hoje ele estuda e nunca bateu em nenhum coleguinha da creche. Daí ele ganhou um saco de pancada e um par de luvas de boxe do meu pai, e eu não tenho o menor problema em deixá-lo brincar com isso. Acredito que ele realmente tenha entendido e pretendo colocá-lo numa aula de artes marciais pra que ele aprenda o que gosta mas com disciplina e responsabilidade desde já. Beijos e boa sorte com os pequenos.

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    1. nandaetges Autor do post

      É, também estamos tentando manter uma postura firme e o colocamos de castigo quando ele está muito agitado e batendo bastante. Boa ideia a das artes marciais, nada como direcionar a força, né? Beijos!

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  3. Cris

    Sinta-se abraçada, Ananda. Tenho um caso muito parecido aqui em casa, não exatamente na agressividade, mas na birra, muitas vezes por nada – por não querer trocar a roupa pra ir à escola, porque eu experimentei a comida dela, por simplesmente não fazer o que ela quer na hora em que quer. Minha filha tem 3 anos e já fala bem, então a agressividade não é mais física, é nas palavras, no jeito de falar. E depois se desmancha em desculpas, chora, chora, chora, mas tenho dúvidas se ela entende o que faz de errado.
    Já perdi o controle muitas e muitas vezes, me sinto a pior mãe do universo quando isso acontece – pois ela é a criança da história e pode perder a cabeça, eu sou adulta e não deveria, mas ela me leva ao limite. Já conversei bastante, já pus de castigo, já fiquei sem falar com ela, já tentei a terapia do abraço (abraçá-la quando ela está no meio da crise), nada funcionou de verdade.
    Também me sinto muito frustrada…mas acho que não tem muita alternativa senão conversar e repetir, muitas e muitas vezes, o que é certo, e tentar com todas as forças não perder o controle na hora. Não ajudei muito, né? Mas vc não está sozinha nessa…

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    1. nandaetges Autor do post

      Ajudou sim! Só o fato de compartilhar experiências já ajuda. Dá aquele sentimento de que não estamos sozinhas e que de fato logo deve passar! Beijos!

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  4. Didi

    Quase toda mãe já perdeu o controle e se arrependeu. Comigo doeu vê-lo chorar e pedir justamente por mim que tinha batido nele. E doeu tão fundo que nunca mais tive coragem. Hoje uso com ele o argumento de que não bato nele e portanto ele não pode bater em mim. Não adianta argumentarmos que eles não podem bater e fazermos o contrario. Para eles resta a nossa paciência e compreensão. Afinal eles não sabem entender, controlar e expressar suas emoções e usam da agressividade. Eu acredito que a melhor tática nestas horas é isola-los e deixar que eles chorem e esperneiem para extravasar suas emoções até que com calma e jeito nos aproximemos e controlamos a situação mais calmos e com calma. Boa sorte

    Resposta
    1. nandaetges Autor do post

      Também uso o argumento de que ninguém bate nele, portanto não tem explicação ele nos bater. Acredito que educamos a partir de exemplos, né? Então, bater só reforça o comportamento como aceitável. Claro que tem vezes que perdemos o controle… mas o jeito é trabalhar isso internamente para que não se repita! Beijos!

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  5. Ariadne Castro

    Ananda, sei exatamente o que vc está sentindo. Muitas vezes eu perco a paciência com Maria Laura e acabo gritando ou sendo brusca com ela e me arrependo MUITO depois, chego a chorar depois.
    Laurinha não é agressiva, mas muito manhosa e tem uma forte personalidade, quando não faço o que ela quer começa a bater o pé, chorar e gritar, (será que ela puxou a mamãe aqui, rsrsrs). É difícil lidar com isso, mas o jeito é respirar fundo e contar até mil se necessário.
    Força amiga, continuando nesse caminho tenho certeza que depois vamos ver que valeu a pena.
    Bjs

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    1. nandaetges Autor do post

      É, o segredo é a persistência, pelo que vejo. Educar não tem uma receita pronta, então seguimos nosso coração na tentativa de fazer o melhor possível! Beijos!

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  6. Priscila

    Oi Ananda!!
    a Érica tbm tem dessas crises, não necessariamente de agressividade, mas de birra, de manha, de tudo um pouco.
    Quando ela era menor, ela tbm mordia, beliscava, e teve momentos que brigou na escola, porém, o beliscar é uma fase, e passou a partir do momento em que uma coleguinha tbm beliscou ela, sei q a gente fica horrorizada quando recebemos a notícia de que nosso bebê fez isso ou aquilo com um colega. Ela tbm mordeu, e tbm foi uma fase passageira, ela chegou a me morder já, mas daí ela viu nos meus olhos que eu realmente não havia gostado, pois fiquei uma arara com ela, depois nunca mais fez. E as brigas no colégio, eu sempre fui atrás pra saber o motivo, e sempre escutei a mesma coisa, fulana provocou tanto ela, que acabou levando um tapa, assim como muitas vezes a Érica encomodou e apanhou.
    Então Ananda, são fases que mesmo sendo dificeis pra nós, são experiências que eles precisam passar, porém isso não quer dizer que devemos passar a mão sobre suas cabeças pensando, “daqui a pouco passa”, pois a educação é algo cansativo, o limite, nem se fala. Muitas vezes perdi a paciência, coloquei muiito de castigo e ainda coloco, já dei umas palmadas, e sinceramente, uma palmada na hora certa ajuda muito, depois a gente percebe isso, se eles não conseguem olhar pra nós e nos respeitar sempre, então que olhem pro chinelinho e tenham um pouco de medo dele, a gente foi criada em um outro momento, com outra educação, claro que sou contra a surra, ao bater sem motivo, ou por motivos bestas, mas quando não há mais o que fazer, ah, o havaianas ajuda um pouquinho, mas o que vai prevalecer mais é a gente estar perto, eu sempre digo pra Érica, mãe que ama seus filhos de verdade educa eles pra viver com outras pessoas de maneira civilizada, então hoje é um pouco mais fácil. No inicio me encomodava um pouco o fato dela dizer quando alguém perguntava, -quem é mais bravo? o pai ou a mãe? – , na hora ela respondia, “a mãe”, mas hoje, eu vejo que o meu foco em dar limites ela entendeu bem, pois o carinho q ela tem por mim e por meu marido, é como se ela estivesse dizendo todo dia, ” obrigada por demonstrarem sempre o quanto me amam”…

    Resposta
    1. nandaetges Autor do post

      O jeito é observá-los e tentar construir uma relação de confiança. Penso que com o tempo eles aprendem a se expressar melhor e podem optar por outros caminhos que não os agressivos. Beijos!

      Resposta
  7. Pingback: Amar dois filhos | projeto de mãe

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