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Pitaqueiros anônimos

Grávidas e crianças chamam comentários e questionamentos alheios indesejados de uma maneira inexplicável. Agora, imagina a minha situação com dois bebês. Estou sempre sendo alvo de perguntas (e firulas).

“Que bonitinhos. São teus?”

“Qual a idade deles?”

“Nossa, pouca diferença, né?”

Isso acontece na fila do supermercado, no restaurante durante o almoço, no elevador do prédio do consultório médico. Sempre em momentos em que o único espaço de tempo para resposta é um sorriso amarelo e um balançar afirmativo de cabeça.

Não que eu tenha problemas com pessoas que falem comigo, especialmente sobre os meus filhos. Eu gosto tanto, mas tanto de falar sobre eles que tenho esse blog todinho meu, só para meu mimimi materno.

O que me incomoda é o momento em que esse tipo de conversa com estranhos acontece. Geralmente, é quando estou com pressa ou enrolada com as crianças. Isso sem falar na ousadia das pessoas…

Exemplo clássico: no restaurante. Quem tem o hábito de sair para comer com crianças sabe que elas são imprevisíveis e volta e meia rola uma bagunça básica.

Então, estamos todos na mesa, comendo. Eu ajudando um a comer e o Fábio ajudando o outro. Eis que surge uma pessoa totalmente desconhecida, na maior intimidade, para puxar papo.

“Olha só, estão comendo legumes! Aproveita, mamãe, é por pouco tempo”.

Olho, faço cara simpática, digo “aham” e continuo.

“E esse menino lindo?”, diz a pessoa, referindo-se à Clara. Afinal, estranhos metidos adoram indicar que a minha filha é um menino, pelo fato de não usar brincos.

Nisso, o Vitor tem um ataque de ciúmes pela menção à irmã e começa a dar tapas em mim ou no pai. A pessoa volta-se para ele e diz:

“Não pode bater no papai e na mamãe. O homem do saco vai te pegar”.

Pronto, minha vontade é cuspir fogo, subir na mesa e rodar a baiana, no estilo mais um dia de fúria possível.

Ah, vá.

Como lidar, hein, minha gente?

Soluções milagrosas para acabar com as mordidas

Não, elas não existem. Mas confesso que ouvi muita bobagem considerada milagrosa na minha busca por uma luz no fim do túnel das mordidas e das agressões na escola.

Para tentar resumir a nossa experiência (e quem sabe ajudar outras mães na mesma situação), resolvi juntar aqui o que deu certo e o que não deu. Apenas destaco que é uma vivência totalmente pessoal, que não necessariamente funciona da mesma forma em outras famílias, orientada pela psicóloga da escola e pelas professoras que trabalham diariamente com o Vítor em sala de aula.

A situação

Fato – Vítor começou a morder os colegas e bater (dar tapas) nas professoras. Logo o comportamento deixou de ser limitado ao ambiente escolar e passou a se repetir em casa.

Reação – A minha reação inicial foi de pânico. Na verdade, sem tanto drama, fiquei preocupada e me senti culpada. Achei que a agressividade poderia ser um reflexo de alguma frustração ou carência. Porém, quando conversei com a psicóloga da escola fiquei mais tranquila. Ela colocou que o ato de morder e/ou bater na idade do Vítor (1 ano e 3 meses) é normal, faz parte do processo de desenvolvimento da criança e da percepção de mundo. Além disso, ela explicou que pode ser um jeito que ele achou de se expressar (nada delicado, mas fazer o que, né?).

Ação – O conselho da psicóloga foi dizer NÃO. Explicar que bater é feio, que legal é fazer carinho, que a mamãe e os amiguinhos não gostam quando ele morde e todo o tralalá básico infinitas vezes, ou seja, sempre que ele tentar morder ou bater. A professora também sugeriu que quando ele ignorasse o discurso (quase sempre, pelo menos no início) a gente colocasse ele de castigo. Como assim, castigo? Calma, eu explico. Não é trancar a criança em um quarto escuro e deixar chorar forever. É tentar desviar a atenção e fazer com que ela se acalme. Na escola, as professoras começaram a colocá-lo sentado na cadeirinha para assistir um pouco de TV. Em casa, a gente optou por deixá-lo uns minutos no cercadinho com algum brinquedo.

A prática – Na prática, foi muito cansativo. Realmente, tivemos que repetir o papinho do bater não é legal um milhão de vezes por dia. Chamar a atenção, mas sem xingar, e usar a teoria do castigo até cansar.

Situação atual – Faz mais de um mês que estamos tentando corrigir a questão das mordidas e das batidas. Ele já mudou? Um pouco, mas ainda tem alguns chiliques (especialmente em público, para a alegria da mamãe). Então, continuamos com as mesmas ações, na tentativa de minimizar ao máximo a situação.

O que funcionou

Chamar a atenção toda vez que ele vai morder ou começa a bater – Funcionou bem. No início, ele mordia ou batia mesmo depois da gente dizer não. Agora, geralmente nos ouve, olha atento pra gente e não morde ou bate.

Castigo – Os castigos ajudaram mais no início. Como o Vítor começou a respeitar quando a gente chama a atenção dele, não é mais necessário colocá-lo no cercadinho ou em uma cadeirinha para desviar a atenção.

O que não funcionou

Gritar – Algumas vezes eu perdi a linha e acabei gritando. Ele ficava assustado e começava a chorar. Outras vezes continuava mordendo ou batendo. Enfim, aconteceu, porém não aconselho. Não ajudou em nada no processo.

Rir – Preciso explicar que isso só reforçava o comportamento negativo?

Fingir que estamos chorando – Vítor nunca caiu nessa e geralmente começava a rir. Mais uma atitude que só reforçava o comportamento negativo, pois ele achava graça e queria repetir.

Morder de volta ou bater na mão – No desespero inicial eu tentei mordê-lo de volta ou bater na mãozinha dele. Por favor, não chamem uma assistente social, mas fui na onda de um daqueles conselhos furados. Logo vi que não ia levar a nada ou mesmo que levasse, não era a melhor forma de conduzir a situação (pelo menos não dentro do meu jeito de maternar).

Enfim, é difícil? Sim, e muito. O segredo? Eu diria que não existe, mas a chave para lidar bem com a situação é manter e calma e tentar alinhar uma conduta com as pessoas que convivem com a criança (no nosso caso pai, mãe, família e professoras).

Não adianta nada os pais seguirem uma linha de ação e na escola as professoras conduzirem a situação de um jeito totalmente diferente. O mesmo vale para a família. No início, algumas pessoas achavam graça quando o Vítor mordia ou batia em alguém. Conversamos com todos e pedimos para eles reforçarem o não e o diálogo. Isso ajudou bastante.

Se alguém mais já passou por isso e quiser compartilhar, sinta-se livre nos comentários!