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A ameaça do chinelo da Minnie

Recebi um presente em forma de ameaça na última semana: uma Havaianas da Minnei.

Não, não foi um presente para a Clara, foi para o Vítor.

(Pausa para a pergunta: ele ganhou um chinelo de meninA?)

Oi, eu sou uma ameaça social para o seu filho!

Oi, eu sou uma ameaça social para o seu filho!

Incrível como o modelo provocou perguntas e levantou preconceitos em diversos lugares onde ele foi visto com o calçado. Comentários chegaram a insinuar que era “chinelo de gay”. Gente, pode isso? Até que ponto a sociedade dita padrões de comportamento na segmentação menino X menina?

Está em tudo: nas lojas de brinquedos (menino brinca de carrinho e menina lava roupa e faz comidinha), no comércio de roupas e calçados (personagens grosseiros e roupas com desenhos de bolas para os meninos e laços e rendas para meninas), nas escolas e na famílias (com comentários do tipo “menino não chora” e “não corre que isso não é coisa de menina”).

Diante disso eu me pergunto: estamos criando meninos programados para esconder os sentimentos, serem brutos, sem vaidade e intocáveis para as tarefas do lar e os cuidados com os filhos? Ao mesmo tempo, educamos meninas submissas aos homens, sensíveis a ponto de se ocultarem diante da sociedade e sem a capacidade de se impor?

Desculpa, mas aqui em casa não. Meus filhos vão ser sempre estimulados a buscar a própria preferência, transitando pelo dito universo masculino e feminino. Terão liberdade para se expressar e serão amparados em suas escolhas. Como eu já disse em outras oportunidades… defendo uma infância (e uma vida) colorida. E que assim seja!

Antecedente criminal do Vítor: o álbum de bebê rosa

Antecedente criminal do Vítor: o álbum de bebê rosa

Sobre o que a gente aprende quando pequeno

Nunca vou esquecer das minhas brincadeiras favoritas na infância. Eram três: escolinha, boneca de papel e restaurante.

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Na minha escola era preciso um quadro, giz, papel, canetas e imaginação. Imaginação para criar conteúdos, inventar alunos e desenhar.

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Para brincar de boneca de papel eu precisava de edições velhas da revista Caras e uma tesoura. Eu recortava as pessoas com roupas diferentes e criava personagens, diálogos e histórias completas.

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Mas a minha verdadeira paixão era brincar de comidinha. Eu montava meu próprio restaurante, com cardápios variados de folhas, flores e barro. Tudo servido em potes plásticos que pegava na cozinha da mãe e algumas louças de brinquedo.

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O que as três brincadeiras têm em comum? Imaginação. Todas eram simples e dependiam basicamente da minha capacidade de criar, inventar e imaginar.

Não significa que nunca tive brinquedos caros e que estavam nos comerciais do horário nobre. Sim, tive bonecas, jogos e ursos de pelúcia. Mas nunca os valorizei tanto quanto um papel em branco, uma pilha de sucatas ou algo que me permitisse interagir com liberdade.

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Onde eu quero chegar? Criança não precisa de caixas e caixas de brinquedos para ser feliz. Não precisa do item mais caro da loja. Não precisa ter tudo. Na verdade, ela já tem tudo e alguns pais nem sequer se dão conta: ela tem a imaginação. O que cabe as pessoas ao seu redor é estimulá-la e fazer com que ela saiba usar a fantasia e a criatividade como um verdadeiro brinquedo, uma fonte inesgotável de diversão e prazer.

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Para quem se interessa pelo tema infância e consumo eu tenho um convite. Conheça o movimento Infância Livre de Consumismo. Na página no Facebook e no blog você encontra uma série de reflexões sobre o assunto.

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E você, tem lembranças da infância? A partir disso, o que quer ensinar para os seus filhos?

A viagem dividida e o tempo que não passa

Quando eu era criança minha mãe dividia a viagem em trechos. Se eu perguntava: “A gente tá quase chegando?”, ela respondia que faltavam tantos pedaços. Cada referência era de um ponto a outro, como da ponte até a polícia, do parque até o trem, e assim por diante.

Acabei adaptando a tal contagem de tempo para diversas situações da minha vida. A segunda gravidez, por exemplo, foi toda dividida em eventos. Primeiro o início do mestrado, depois o aniversário do Vítor,…

Enquanto eu tinha algo por esperar, digamos assim, uma etapa seguinte, a gravidez simplesmente passava junto, sem muita ansiedade. Acontece que minha última referência acabou na metade de maio e não consigo pensar em nada grande para usar de marcação. Resultado? Penso todo dia no parto e no nascimento da Clara.

Coisa de doido? Sim, eu sei. Mas preciso urgente de novos pedaços na minha linha do tempo.

As férias que não foram férias

Volto de um período de férias bloguísticas não anunciadas. Férias que só foram férias do blog, já que além da vida virtual o negócio foi pegado. Estava envolvida com um trabalho extra que exigiu muito de mim, psicologicamente e fisicamente. Foram praticamente duas semanas só tomando banho e dormindo em casa. Mas o que importa é que deu tudo certo e acabou.

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O Dia das Mães aqui em casa foi comemorado um dia depois, já que domingo eu almocei com o Vítor e tive que trabalhar. Então segunda curtimos o frio e ficamos na cama até mais tarde, depois brincamos e matamos a saudade de passar a manhã juntinhos. Fazia um pouco mais de um mês que ele ficava o dia inteiro na escola. Foi algo temporário e inevitável. Agora retomamos nossa rotina gostosa e eu aproveito para começar a desacelerar.

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A pança tá pesando de vez. Diversas atividades estão bem limitadas. Fechei hoje 23 semanas, lembradas apenas porque liguei para marcar um exame. A secretária perguntou: “Quantas semanas”. Eu respondi: “Não sei”. Tive que pegar rápido um calendário e revirar na agenda para achar algumas anotações. Não faço questão de me apegar ao tempo. Sei que o bebê é para setembro e é o suficiente. Não quero cair de novo em neuras de ansiedade e pressa.

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E por falar no segundinho, ou melhor, na segundinha, eis que a moça já tem nome escolhido. Ela vai se chamar Clara, um sugestão da dinda. Nome que bateu e ficou. Nome que já veio com uma música que eu adorava quando criança e pedia para o meu pai sempre repetir enquanto a gente estava no carro ouvindo o CD do Lulu Santos.

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“Clara como a luz do sol
Clareira luminosa
Nessa escuridão
Bela como a luz da lua
Estrela do oriente
Nesses mares do sul
Clareira azul no céu
Na paisagem
Será magia, miragem, milagre
Será mistério”

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Clara, que ilumina. Que já nos iluminou.

Da magia do circo

Sempre gostei de circo (circo, não de palhaço). Desde pequena eu ficava fascinada com os malabaristas e trapezistas. Pensava em como eles conseguiam fazer tudo aquilo, transformar o corpo e a expressão em arte de um jeito único.

Lembro das idas ao circo com meu avô, quando tudo era permitido. Quer pipoca? O vô dá. Algodão doce? Pode escolher. Brinquedinho bigiganga? É só pegar.

Ele era o único da família que aceitava o desafio de se equilibrar em arquibancadas apertadas com a netinha no colo. Era no braço dele que eu escondia o rosto quando ficava com medo do Globo da Morte. Era com ele que eu compartilhava toda aquela magia do circo.

Fui crescendo e virei substituta do meu avó na tarefa de acompanhante de circo. Levei meu irmão, meus primos, minha irmã. E agora em novembro foi a vez de fazer a estreia do Vítor.

Ele chegou tímido, olhando surpreso para a lona. Ficou com fome e mamou no colinho da mamãe. Quando o show começou procurou os palhaços. Depois ficou hipnotizado com a música, a cor e o movimento do espetáculo.

Nem preciso dizer que vamos repetir muito o passeio. Afinal, quero que o Vítor tenha boas lembranças, assim como eu. Que ele consiga perceber toda magia só de ouvir um carro de som anunciando que o circo chegou. E ao fechar os olhos possa sentir o cheirinho nostálgico que acompanha todo e qualquer picadeiro.



Será que ele gostou? (Até sem camisa a criança ficou, 40 graus embaixo da lona!)