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Tudo aquilo que eu não quero esquecer

Filho,

Não quero esquecer o jeito como tu me olha de manhã quando deitamos juntos na cama, enquanto tu toma o teu leitinho e fica fazendo gracinhas para eu rir.

Não quero esquecer quando tu pede para assistir a Galinha Pintadinha e fica fazendo “pó pó pó” de um lado para o outro na sala.

Não quero esquecer a boquinha que tu faz quando grita “bol”, cheio de entusiasmo, por ver qualquer coisa relacionada ao futebol, seja na rua, na televisão ou em qualquer lugar.

Não quero esquecer o teu dedinho mexendo de um lado para o outro, simbolizando um não, quando eu canto “O sapo não lava o pé”.

Não quero esquecer o teu carinho desajeitado na minha barriga, quando a gente pergunta pela Clara.

Não quero esquecer a forma como tu bate no peito, cheio de orgulho, quando a gente pergunta: “Cadê o neném da vovó?”.

Não quero esquecer o jeito como tu chuta o potinho de comida do Dexter, para depois juntar ração por ração no chão e colocar de volta no lugar.

Não quero esquecer como tu grita “pai” com vontade, procurando ansioso o colo de quem tu tanto ama.

Na verdade, eu queria congelar cada momento que a gente passa junto para nunca esquecer da maravilha que é te ter por perto e poder curtir todas as tuas descobertas.

Com amor,
mamãe.

As férias que não foram férias

Volto de um período de férias bloguísticas não anunciadas. Férias que só foram férias do blog, já que além da vida virtual o negócio foi pegado. Estava envolvida com um trabalho extra que exigiu muito de mim, psicologicamente e fisicamente. Foram praticamente duas semanas só tomando banho e dormindo em casa. Mas o que importa é que deu tudo certo e acabou.

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O Dia das Mães aqui em casa foi comemorado um dia depois, já que domingo eu almocei com o Vítor e tive que trabalhar. Então segunda curtimos o frio e ficamos na cama até mais tarde, depois brincamos e matamos a saudade de passar a manhã juntinhos. Fazia um pouco mais de um mês que ele ficava o dia inteiro na escola. Foi algo temporário e inevitável. Agora retomamos nossa rotina gostosa e eu aproveito para começar a desacelerar.

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A pança tá pesando de vez. Diversas atividades estão bem limitadas. Fechei hoje 23 semanas, lembradas apenas porque liguei para marcar um exame. A secretária perguntou: “Quantas semanas”. Eu respondi: “Não sei”. Tive que pegar rápido um calendário e revirar na agenda para achar algumas anotações. Não faço questão de me apegar ao tempo. Sei que o bebê é para setembro e é o suficiente. Não quero cair de novo em neuras de ansiedade e pressa.

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E por falar no segundinho, ou melhor, na segundinha, eis que a moça já tem nome escolhido. Ela vai se chamar Clara, um sugestão da dinda. Nome que bateu e ficou. Nome que já veio com uma música que eu adorava quando criança e pedia para o meu pai sempre repetir enquanto a gente estava no carro ouvindo o CD do Lulu Santos.

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“Clara como a luz do sol
Clareira luminosa
Nessa escuridão
Bela como a luz da lua
Estrela do oriente
Nesses mares do sul
Clareira azul no céu
Na paisagem
Será magia, miragem, milagre
Será mistério”

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Clara, que ilumina. Que já nos iluminou.