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Brincos e acessórios: é um menino???

Quando eu estava grávida da Clara comecei a pensar sobre a questão brincos. Minha avó queria comprar um par para que a Clara furasse as orelhas ainda na maternidade e eu me dei conta que não queria isso. O motivo principal é: sou contra todo e qualquer procedimento desnecessário com um bebê, especialmente no momento do parto e logo após o nascimento. Então, brincos estavam fora de cogitação, pela agressão ao recém-nascido com um apelo unicamente estético.

Conversei com o Fábio e ele concordou que era desnecessário. Assim, recusei o presente e assumi que a minha filha não teria as orelhas furadas, pelo menos não enquanto bebê.

Obviamente, minha decisão gerou todo tipo de comentário, desde “bebê não sente dor” até “ela nem vai lembrar”. No entanto, o absurdo mesmo foi quando ela nasceu e muitas pessoas começaram a chamá-la de ele só por não ter brincos!

Gente, chegava a ser o cúmulo da idiotice, um desafio para a minha paciência. A menina de vestido rosa, sapatinho de boneca e tudo mais e uma criatura dizendo: “mas que meninO mais lindO!”. Cara de alface total, né? Eu nem me dava ao trabalho de falar nada.

Respeitando a minha decisão, minha mãe resolveu dar uma pulseira de ouro para a Clara, como lembrança do nascimento, que ela poderia guardar para sempre. A pulseira é uma graça e ficou super bonitinha no braço gorducho na minha pequena.

Acontece que neste fim de semana estávamos na praia e a Clara começou a ficar com o olho vermelho e inchado. Como ela coçava muito, fomos até o plantão do hospital verificar o que poderia ser. No fim das contas, deixamos a emergência com um diagnóstico de conjutivite alérgica e uma orientação do pediatra que a examinou e reparou na pulseira: tire já!

Ele explicou que pulseiras e anéis podem resultar em lesões por arrancamento e disse que já atendeu muitos casos do gênero. Achei o argumento coerente, apesar de nunca ter escutado nada parecido. De qualquer forma, resolvi guardar a pulseira em uma caixinha, para que a Clara use quando for maior.

Agora, minha menina está sem nenhum acessório.

E vocês, o que pensam sobre brincos e acessórios? Conhecem alguma história de lesão? A preocupação faz sentido?

Olha minha cara de preocupada para quem me chama de menino

Olha minha cara de preocupada para quem me chama de menino

A ameaça do chinelo da Minnie

Recebi um presente em forma de ameaça na última semana: uma Havaianas da Minnei.

Não, não foi um presente para a Clara, foi para o Vítor.

(Pausa para a pergunta: ele ganhou um chinelo de meninA?)

Oi, eu sou uma ameaça social para o seu filho!

Oi, eu sou uma ameaça social para o seu filho!

Incrível como o modelo provocou perguntas e levantou preconceitos em diversos lugares onde ele foi visto com o calçado. Comentários chegaram a insinuar que era “chinelo de gay”. Gente, pode isso? Até que ponto a sociedade dita padrões de comportamento na segmentação menino X menina?

Está em tudo: nas lojas de brinquedos (menino brinca de carrinho e menina lava roupa e faz comidinha), no comércio de roupas e calçados (personagens grosseiros e roupas com desenhos de bolas para os meninos e laços e rendas para meninas), nas escolas e na famílias (com comentários do tipo “menino não chora” e “não corre que isso não é coisa de menina”).

Diante disso eu me pergunto: estamos criando meninos programados para esconder os sentimentos, serem brutos, sem vaidade e intocáveis para as tarefas do lar e os cuidados com os filhos? Ao mesmo tempo, educamos meninas submissas aos homens, sensíveis a ponto de se ocultarem diante da sociedade e sem a capacidade de se impor?

Desculpa, mas aqui em casa não. Meus filhos vão ser sempre estimulados a buscar a própria preferência, transitando pelo dito universo masculino e feminino. Terão liberdade para se expressar e serão amparados em suas escolhas. Como eu já disse em outras oportunidades… defendo uma infância (e uma vida) colorida. E que assim seja!

Antecedente criminal do Vítor: o álbum de bebê rosa

Antecedente criminal do Vítor: o álbum de bebê rosa