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O medo do desconhecido

Acompanhem o meu raciocínio.

Mulheres que nunca passaram por um parto normal nem por uma cesárea estão rumo ao desconhecido, certo? É natural sentir medo do desconhecido, pois ele é incerto, pode deixar as pessoas inseguras. Em uma grávida, este contexto ainda envolve uma centenas de hormônios e muita ansiedade, pois o parto é como se fosse um portal. Se existe período AC e DC (antes e depois de Cristo), certamente existe o AM e DM (antes e depois da maternidade). Fato.

Além disso, o desconhecido do parto envolve dor. Seja parto normal ou cesárea vai ter dor. É outro fato. O normal pelas contrações, o trabalho de parto e o expulsivo. A cesárea por ser um procedimento cirúrgico e que possui todo um pós-operatório.

Chegamos até aqui a duas conclusões: a pessoa vai passar por algo que é desconhecido e que vai ter dor.

Agora entra a minha conclusão: como uma mulher escolhe (veja bem,  estou me referindo ao parto como escolha, quando não existe indicação médica específica) entre parto normal e cesára justificando ter medo de sentir dor? Não faz o menor sentido na minha cabeça. Ninguém consegue dimensionar uma dor que nunca sentiu para escolher entre um procedimento ou outro. Parece algo como aquelas perguntas duvidosas: “Você prefere morrer queimado ou afogado?”. Como assim, gente???

* Texto inspirado no último post da Ilana, do blog 1 + 1 são três.

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O parto

Na sexta, dia 8 de abril, eu completei 40 semanas de gravidez. A médica já tinha sugerido induzir o parto, pois eu estava muito ansiosa e as condições eram favoráveis (eu já tinha 4 cm de dilatação, o bebê estava baixo e o útero mais fino).

No entanto, eu não me sentia segura com a ideia da indução. Tinha medo de ser muito doloroso e de acabar em uma cesárea. Se isso acontecesse eu iria me sentir muito culpada depois. Conversei com o Fábio e decidimos não arriscar. Combinamos esperar mais um pouco por um parto normal (sem ocitocina sintética). Se o Vítor não chegasse até a data da próxima consulta, terça, dia 12, a gente iria do consultório direto para o hospital e acabaria induzindo parto normal. Ficaria de 2ª opção por mais uns dias.

O sábado, dia 9, foi tranquilo. Fui em um aniversário com a minha mãe, cheguei em casa pelas 7 da noite e o Fábio estava me esperando para a nossa caminhada diária (tentativa de incentivar o trabalho de parto). Andamos cerca de 4 quarterões e comecei a me sentir mal. Eram contrações mais fortes do que geralmente eu sentia. Sentamos um pouco e decidimos voltar pra casa. Cheguei e fui direto para o chuveiro, mas quando saí do banho já estava bem de novo.

Ficamos alerta durante toda noite, porém nenhuma mudança. Domingo, dia 10, acordei bem e saímos para almoçar. No fim da tarde passamos no meu primo para comemorar o aniversário dele. Não ficamos muito e seguimos para casa, eram umas 7 e meia da noite.

Cheguei, tomei um banho e sentei na sala com o notebook. Exatamente às 8 e 22 da noite senti uma contração mais forte. Levatei para ir no banheiro e… ploft! A bolsa rompeu.

Era água que não acabava mais (glamour parte 1). Olhei para o Fábio meio sem acreditar e ele correu para buscar uma toalha. Sentei no chão, peguei o celular e mandei uma mensagem de texto para a minha médica. Esperei um pouco e fui para o chuveiro enquanto o Fábio pegava as coisas que faltavam na mala da maternidade (escova de dente, escova de cabelo, etc.).

1º passeio na casa da bisa

Durante o tempo que fiquei no banho não sentia dor. Entretanto foi só fechar o chuveiro que as contrações vieram com intensidade total, uma depois da outra. Não tinha capacidade de contar o intervalo e nem me preocupei com isso. Coloquei o primeiro vestido que vi na minha frente e fomos para o hospital.

A médica chegou na mesma hora que a gente e me acompanhou até um quarto. Coloquei a camisola linda-modelo-bunda-de-fora (glamour parte 2). Ela me examinou e viu que eu já estava com 8 cm de dilatação. Eu sentia muita dor, não conseguia ficar deitava, nem sentada. Duas enfermeiras me prepararam para o parto, enquanto o Fábio estava cuidando da parte burocrática na recepção.

Fui para a sala de parto e perdi a noção de tempo. Meus únicos marcos naquela noite são: 8:22, hora que a bolsa estourou, e 9:39, hora que o Vítor nasceu.

Na sala de parto tentei me concentrar para respirar como a médica indicava. Eu fazia muita força quando começava a sentir a contração e lembro de reclamar várias vezes pelo calor do ambiente (glamour parte 3).

Era como se eu estivesse em um universo paralelo. Não conseguia falar direito, nem sequer pensar.

O bebê estava no canal de parto, mas vinha e voltava. Até que eu gritei que não aguentava mais (glamour parte 4) e a médica sugeriu a utilização do fórceps. Eu aceitei, acho que aceitaria qualquer coisa naquela hora.

A médica disse que eu sentiria uma pressão na hora que ela colocasse o fórceps, mas não senti nada. Mais uma contração. Empurra. Força. E… chegou. Som de um chorinho gostoso na sala. Era o meu filho que gritava. Ali estava o Vítor!

O Fábio trouxe ele para pertinho de mim. Peguei o Vítor no colo e ficamos ali juntinhos. Depois… tchau, mamãe. Ele foi para o berçário e só nos vimos mais tarde no quarto. Enquanto isso eu levei os pontos (5) e fui descansar um pouco.

No outro dia já recebemos alta. A semana foi bem tranquila. Ainda estamos nos adaptando, mas de modo geral tá tudo bem! Logo eu volto pra contar um pouquinho dos nossos primeiros dias!

O tal do parto

Conforme a gravidez vai evoluindo o tema parto fica cada vez mais frequente. É fantástico, mas todo mundo sabe pelo menos uma história de parto. É a vizinha que ganhou bebê no carro, a tia que sofreu por não sei quantas horas até o nascimento, a irmã que praticamente “jogou” a criança no mundo.

Falatórios ouvidos e registrados ou não, sei que quero ter parto normal.

Não quero filho com data e hora para chegar. Quero a surpresa das contrações. Quero a dúvida de ir para o hospital ou esperar mais um pouco. Quero a correria de pegar tudo e colocar no carro. Quero sentir as mal ditas dores.

É meu desejo, mas sei que talvez não aconteça do jeito que eu espero. Como diz a minha GO: é o bebê que escolhe, não a grávida. Algumas mães querem muito o parto normal, porém chega na hora e o neném não está na melhor posição ou algum outro fator não colabora. Daí não adianta, a opção é cesárea.

Entendo isso e também não julgo quem decide fazer cesárea logo de cara. É comum ouvir grávidas falarem: “Não me sinto confortável nem em pensar no parto normal, prefiro marcar direto a cesárea”. Paciência. Cada uma conhece o seu emocional e o seu corpo. Ninguém é menos mãe porque pariu assim ou assado. Sou do pensamento clichê master: mãe é de coração.

Anyway, já que meu desejo é o parto normal decidi me preparar para isso. Leio todos os relatos que encontro na internet, vejo todo tipo de vídeo (meio punk às vezes), procuro me informar ao máximo.

Fui no hospital onde o Vítor deve nascer e provavelmente em março vou conseguir fazer uma visita ao centro materno (que está em reforma no momento). Quero fazer todo o caminho desde a entrada no hospital até o quarto, conhecendo todos os procedimentos que vou passar no dia do parto.

Além disso, procurei ajuda de uma fisioterapeuta. Segundo minha GO, existem exercícios que podem ajudar na hora do parto. No entanto, é importante destacar que nada garante um parto normal, muito menos tranquilo, por mais preparada que a mamãe esteja. São apenas atividades para se conhecer e fortalecer a musculatura do períneo, o que pode facilitar na hora do nascimento.

A fisio me falou da experiência de parto dela. Ela fez toda a preparação para ter parto normal e evitar a episiotomia, mas não escapou da episio. O bebê estava com a mão na cabeça e a médica optou por cortar em função do desgaste físico da mamãe.

Sobre os exercícios que podem ajudar no parto ela citou o agachamento. Disse para eu começar com 15 por dia (depois ir aumentando até 25, 30). Além disso, disse que ficar na posição de cócoras por alguns minutos diariamente é bom para fortalecer a região do períneo. Para passar o tempo a sugestão é ler uma revista de cócoras (cena um tanto bizarra, mas acho que vale a tentativa).

Para encerrar, outra recomendação é a massagem perineal. A técnica reduz a incidência de lacerações do períneo e da vagina e trabalha a elasticidade dos músculos e tecidos vaginais inferiores.

Eu nunca tinha ouvido falar na tal da massagem, mas pesquisei bastante na internet. Achei um blog bem interessante, não só sobre o assunto, mas em relação a outros aspectos da gravidez e do parto também. AQUI o link para quem se interessar.

Agora é fazer tudo direitinho e esperar. Mais 10 semanas…