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Ah, que saudade da barriga!

Esta semana peguei uma câmera digital compacta que temos aqui em casa e praticamente não usamos para emprestar para a minha avó. Acontece que quando fui ver se estava tudo funcionando direitinho achei um cartão de memória com várias fotos que eu nem lembrava que existiam. Imagens do Vítor com poucos meses, depois uns vídeos dele dando os primeiros passos. Sério, uma emoção sem tamanho!

Isso acabou me deixando toda nostálgica. Fui direto para os arquivos do computador e fiquei com os olhos cheios de lágrimas. Normal, né? Qual a mãe que não dá uma choradinha disfarçada (ou nem tanto) quando olha uma foto do filho RN?

Então, cheguei também nas fotos de grávida (que são raras, tenho que confessar).

E ah, que saudade da barriga, gente! De sentir aquela vida toda dentro de si. Os movimentos do bebê, os chutes. Ô coisa boa!

By Fábio Augusto, no Oceanário de Lisboa

Gravidez do Vítor, by Fábio Augusto, no Oceanário de Lisboa

By Alvaro Pegoraro, no jornal em que eu trabalhava

Gravidez da Clara, by Alvaro Pegoraro, no jornal em que eu trabalhava

By Cristian Frantz, em montagem com a Clara in e out

By Cristian Frantz, em montagem com a Clara in e out

E por aí? Rolou uma saudadezinha da barriga também?

Para guardar

Tenho uma pasta no email nomeada “Para guardar”. Ali armazeno lembranças, mensagens carinhosas e de tudo um pouco.

Pois bem, lá estava eu fazendo uma limpa nos meus emails e abri a tal pasta. Encontrei mensagens de exatamente 1 ano atrás. Adivinham o assunto? A gravidez. Foi bem na época que eu contei para minha família e amigos.

Impossível não reviver o xixi no palitinho (o 1, 2 e o 3), a ligação nervosa para a Paula, eu contando para o Fábio que a gente ia ter um bebê, no meio de Tottenham, de noite, na frente de uma Pizza GoGo.

Lembrei também das conversas durante a madrugada em Warwick Gardens quando a gente se perguntava se aquilo era verdade, da minha primeira consulta, o primeiro ultrassom.

Recordei minha vontade de vomitar todo dia saindo da estação de Holborn no caminho para aula. Fechei os olhos e pude sentir o cheiro de sushi que me deixava enjoada toda manhã.

Pensei na minha vontade de comprar a Oxford St. inteira para o bebê que eu sabia que seria um menino. Tinha tanta certeza que escolhi várias micro mini roupas lindas na cor azul.

Fiquei sozinha, viajando no tempo e no espaço. Ê saudade!


* A imagem é do primeiro ultrassom que fiz, no dia 22/09/2010. A foto é uma das primeiras da barriga, no início de outubro, no Oceanário de Lisboa, em Portugal.
** Post inspirado também na série retrô “One year ago” da Carol.

No divã

Eu e o Fábio nos conhecemos em Londres. Eu, gaúcha, fui para a Inglaterra em março de 2010 para estudar inglês. Ele, paulista, trabalhava desde junho de 2009 na capital inglesa. Nos encontramos na república de estudantes onde ambos morávamos e que o irmão dele administrava.

Depois de uma semana começamos a ficar. Um mês e já virou namoro. Em julho fomos morar juntos, só nós. Em agosto eu descobri que estava grávida. Em outubro voltamos para o Brasil. Resumão básico da nossa história pré-Vítor.

Um dos motivos que nos levou a voltar para o Brasil foi a questão familiar. Queríamos que o Vítor nascesse aqui para poder contar com o apoio e carinho da família. Outra razão foi bem pontual: meu visto ia vencer e a gente precisava decidir o que fazer. O Fábio tem passaporte português, mas seria uma burocracia arrumar a minha documentação em função da dele, provavelmente não daria tempo de ter tudo em dia antes do meu visto terminar.

Enfim, voltamos para começar a construir nossa vida em solo brasileiro (naquela de seja o que Deus quiser).

O Fábio trabalhou um tempo em casa e depois arrumou outro emprego. Eu não consegui nada enquanto estava grávida, nem como freelancer. Porém agora estou trabalhando na minha área (jornalismo).

Acontece que embora a gente já esteja a quase 1 ano no Brasil ainda não nos sentimos adaptados. Parece que falta alguma coisa. Sempre ficamos imaginando como seria se a gente voltasse para Londres (ou se tivesse ficado por lá). Vivemos numa ponte áerea mental.

Pontos que contam para o Brasil: família, possibilidade de trabalhar na nossa área de formação (coisa que dificilmente aconteceria em Londres), comodidade.

Pontos que contam para a Inglaterra: educação (seria ótimo poder oferecer uma educação bilíngue para o Vítor), segurança, possibilidade de viajar pela Europa e conhecer outras culturas, situação financeira favorável, Nutella mais barata do que no Brasil.

E daí que eu fico viajando (literalmente) num mar de possibilidades. Então quero ajuda das universitárias. Mamães internacionais, como é a vida pós filhos no exterior? Do que vocês sentem falta? Vocês se sentem completas (pergunto mesmo achando que ninguém consegue ser completo depois de morar um tempo no exterior)? Quais as principais dificuldades?

Mamães brasileiras, do que vocês não abririam mão para ir morar em outro país?

Cadê mamãe?

Daí que mamãe foi trabalhar. Comecei no fim da semana passada. É um retorno lento e bem gradual. Tudo para que o Vítor não sinta muita saudade de mim e se acostume com algumas mudanças na rotina dele.

Eu tinha parado de trabalhar logo que soube da minha gravidez. Na época era gerente de marketing de uma agência de imigração em Londres. Estudava inglês de manhã e de tarde minha carga horária era de mais ou menos 4 horas por dia na empresa.

Tinha uma rotina leve, apesar do meu trabalho ser um tanto quanto estressante. Muita coisa para fazer, cobrança, pressão. Quando pedi demissão senti um alívio imenso, pois foi bem na época em que comecei a enjoar todo santo dia. Além disso, tinha um sono absurdo, coisa de recém grávida.

Com o tempo livre (minhas aulas de inglês logo acabaram) pude me atirar de cabeça nessa vida loka de grávida. Curti cada segundinho. Dormi e comi como se não houvesse amanhã. Comprei coisinhas lindas, organizei o quarto, arrumei e desarrumei mil coisas.

Durante exatos 10 meses (parei de trabalhar no fim de agosto) eu pensei, respirei e sonhei com bebê, fralda, parto, amamentação, leite, mamadeira, chupeta e tudo mais que faz parte desse universo bebezístico O TEMPO INTEIRO. Inteirinho. Só e apenas isso.

Porém, comecei a sentir que estava demais. Deu saudade de ser eu, a Ananda, não apenas a mãe do Vítor. Acredito que seja uma síndrome que atinge boa parte das mães. Normal, né?! Digam que sim!

Então que fui atrás e consegui um novo trabalho. Estou super empolgada, pois é algo ao mesmo tempo diferente de tudo que já fiz (é em uma agência de design), mas ao mesmo tempo vou poder usar conhecimentos diversos que trago de outras experiências.

A melhor parte é o horário flexível. Vou poder fazer bastante coisa de casa, mesmo assim optei por dedicar duas tardes exclusivamente ao trabalho, dias nos quais vou ficar na agência.

E o Vítor? Como vai ficar?

Bom, agora nas primeiras semanas ele tem ficado com a minha mãe ou com a minha avó (geralmente com a minha avó, em função dos horários). No entanto, eu já fui visitar algumas escolinhas e achei uma que aceitaria ele inicialmente duas tardes por semana. Fiquei satisfeita com as instalações e é pra lá que ele vai mês que vem. Vou esperar passar julho, pois aqui no Rio Grande do Sul o frio está terrível e tenho medo das malditas doenças de inverno.

E o coração de mãe? Como está?

Eu estou feliz por voltar a trabalhar e pelo jeito que as coisas estão acontecendo (devagar, gradualmente). Claro que quando deixo o Vítor com minha avó fico com o coração apertadinho, mas como são poucas horas procuro deixar isso de lado, afinal… ele está com pessoas que o amam demais e que vão cuidar dele da melhor forma possível.

E a amamentação?

Tento amamentar antes de sair e na volta. De vez em quando ele sente fome no meio disso (depende de quanto tempo fico fora), daí minha avó acaba dando NAN na mamadeira pra ele. Mas quero me organizar melhor pra a partir de semana que vem combinar com a minha avó para que ela me ligue quando ele quiser mamar. Assim consigo sair e ir atender o filhote. Afinal, a casa da minha avó fica perto da agência e assim vai ser melhor pro pequeno.

Vamos ver como vai ser depois, quando ele for para a escolinha. Mas pode deixar que eu volto aqui e conto tudo!

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