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A vida com dois filhos não é fácil, minha gente. Eu me sinto no meio de uma corda e cada um puxando para um lado. No entanto, a Clara sempre ganha a batalha, afinal, como meu vô diz, ela é um pequeno bebê carrapatinho.

Acontece que ela mama muito e tá sempre grudada em mim. Mas muito do tipo muitíssimo mesmo. Adora um leitinho da mamãe e está 100% no peito. Eu procuro não reclamar, pois é exatamento o que eu quero: minha filha sem mamadeiras e afins até quando ela quiser e crescendo saudável.

Só que acontece que amamentar demanda tempo, paciência, entrega. Não que eu não possa fazer nada enquanto amamento, mas jogar bola com o Vítor ou fazê-lo dormir é meio complicado, né?! Então, muitas vezes, é o pai que assume o controle. Não acho isso ruim, de jeito nenhum, considero importante o pai ter domínio da situação. Mas sinto falta de ter mais momentinhos com o Vítor, sabe? E tenho certeza que ele sente o mesmo, principalmente quando vai com o pai para o quarto dormir e começa a chorar chamando “mamãe”.

Sério, isso acaba comigo. Eu sei que é assim, que é uma fase, que com o tempo a Clara vai ter uma rotininha mais estabelecida e vou poder ficar mais com o Vítor. Eu sei, eu sei, eu sei. Mas nada diminui o que eu sinto agora.

Se eu reclamava na faculdade, quando a demanda de trabalho + aulas era meio freak, imagina agora. Definitivamente, eu preciso ser duas. Só polvo não adianta mais.

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O fim

A espera pela Clara tem sido marcada por uma serenidade única. Obviamente, estou na expectativa pelo nascimento, mas é tão diferente da primeira vez…

No final da gravidez do Vítor eu estava insuportável, tanto que quase optei por induzir o parto um dia antes dele resolver nascer. Hoje, apenas agradeço por não ter deixado a ansiedade tomar conta e ter seguido minha intuição de esperar.

Espera que agora passa num ritmo até rápido demais. Tenho uma lista de coisas para fazer, para passar o tempo e deixar tudo em dia. No entanto, vejo que não vou conseguir vencer tópico por tópico, isso que nem é tanta coisa assim.

Acontece que tenho me permitido curtir o momento atual, sem muita neura. Vítor teve virose na última semana e aproveitei para ficar com ele. Quando o pequeno melhorou e voltou para a escola eu me dei o luxo de dormir uma tarde inteirinha (vejam bem, sozinha em casa, sem barulho nenhum, um verdadeiro luxo para qualquer mãe!).

Então assim vamos indo, um dia de cada vez. Curtindo o fim. Fim da gravidez, da vida de mãe de um, de uma fase familiar incrível que foi a chegada do nosso primeiro filho. Vamos ver se o próximo post já não vai ser de começo…

“O fim é lindo. Do crepúsculo, de uma vela, de uma chuva. O fim é esperançoso, exigente. Pancadas de beleza. O som e o sol pulam como um suicida ao avesso para dentro da vida” (Carpinejar)

O primeiro casulo

Passei pelo primeiro casulo da gravidez do segundinho. Um momento de pensar em mim, na minha família e em tudo que estamos construindo.

Quando estava grávida do Vítor senti a necessidade de me fechar bem no final, poucos dias antes do parto. Desta vez foi mais cedo, mas com muitas chances de repeteco pra lá adiante.

Acontece que eu precisava me achar realmente grávida. Fisicamente estou bem, tive enjoos, porém bem menos do que na primeira vez. Com 10 semanas me sinto cheia de energia e ansiosa pelo que vem pela frente.

Mas é uma ansiedade diferente. Parece que o tempo tique taca em outro tempo. Mais lento, sem pressa. Como se eu tivesse entendido, pelo menos por enquanto, que tudo tem seu tempo e o deste bebê ainda vai demorar bastante.

Na outra vez eu tinha pressa pra saber o sexo, sentir o bebê mexer, ver a barriga crescer, arrumar tudo. Agora tenho tanta calma que até tinha me perdido nas semanas da gravidez. Só me atualizei dos números porque precisava marcar o exame de  translucência nucal.

Acredito que a mudança seja por já conhecer o processo e saber que a vontade de viver tudo de uma vez só apenas atrapalha. O final da gravidez do Vítor foi marcado por uma ânsia pelo parto que prejudicou um pouquinho o andamento das coisas e me tirou totalmente a tranquilidade. Desta vez quero fazer diferente e penso que é algo que deve ser trabalhado desde o início.

Sem falar que tenho meu menininho lindo que cada dia aprende ou observa algo diferente. Ele está cada vez mais fofo e apaixonante. Toda família está curtindo muito esta fase maravilhosa de descobertas.

É bom voltar aqui, viu? Já estava com saudade de escrever. Beijos 🙂

Sobre o corpo, a mente e a alma depois do parto

PARTO

No fim da gravidez eu só pensava na hora do parto. Pesquisei, li, busquei informações. Queria saber tudo que poderia acontecer, o que eu iria sentir, como seria.

Quando a bolsa estourou não conseguia acreditar que era verdade, que o momento que eu tanto esperava estava ali, acontecendo, no gerúndio mesmo.

Banho, contrações, hospital, dilatação, sala de parto, dor, força, bebê. Tudo isso em 1 hora e 17 minutos (a bolsa estorou às 20:22 e o Vítor nasceu às 21:39). Ou seja, meu corpo invadido por hormônios e seguindo os passos da minha natureza interior em segundos.

Meu parto foi normal e rápido, mas não escapei do fórceps e da episiotomia. Acredito que por isso minha recuperação foi um pouco mais lenta e dolorida. Eu me sentia bem, porém os pontos estavam ali para me lembrar o tempo todo que eu recém tinha parido. Aliás, um dos pontos ainda está ali, mesmo depois de quase 2 meses (essa semana eu tenho consulta e vou me despedir desse resquício do parto).

Sabe que foi estranho, mas por mais que eu tenha preparado meu corpo e minha mente para o parto muitas coisas foram diferentes do que eu imaginava. Não que isso tenha causado alguma frustração, apenas me mostrou outras possibilidades. Por exemplo: li relatos de parto normal, parto normal induzido, parto natural, parto em casa, cesárea, mas nenhuma vírgula sobre parto com uso de fórceps. Nada, nadinha. Outro exemplo: em todos os relatos as mães descreviam o momento do nascimento do filho como mágico, sublime. Sorry, não senti nada disso. Era como se eu estivesse em outra órbita, vendo tudo acontecer sem ser a protagonista da história. A dor era tanta que não conseguia nem falar. Eu estava muito concentrada e demorou para eu me situar novamente.

Claro que hoje quando lembro do parto eu fico emocionada. Tento guardar cada segundo na minha memória. Agora, sem dor, sem sangue e de pernas fechadas eu posso afirmar que aquele dia foi realmente mágico, especial. Entretanto, na hora eu estava fora de mim.

AMAMENTAÇÃO

Depois do parto é a vez do corpo trabalhar para amamentar o pequeno ser que acaba de nascer. No hospital foi tudo tranquilo, os primeiros dias em casa também. Não sei dizer exatamente o dia que o leite “desceu”, lembro só da sensação do seio pesado e quente.

Então eu e o Vítor fomos nos conhecendo e tudo estava ótimo até o peito rachar. Nossa, quanta dor! E para completar o pequeno queria só mamar! Ou seja, ficava pendurado em mim. Daí depois de uma noite inteira com ele mamando quase que sem parar eu entrei em desespero e tive que apelar para o leite artificial. Só assim o menino sossegou e consegui recuperar meu seio.

Fiquei chateada em ter que oferecer NAN para o meu filho, mas tentei não pensar muito nisso. O bom foi que o leite artificial e a mamadeira me deram fôlego para eu me concentrar mais na amamentação, ter mais paciência. Além disso, ganhei um pouco de liberdade, pois agora posso deixar o Vítor com o pai ou com a avó sem me preocupar se ele vai sentir fome.

BABY BLUES

Baby blues é um período de melancolia pós parto. Eu fiquei um pouco deprimida por aproximadamente uma semana depois do nascimento do Vítor. Chorava por qualquer coisinha, estava super emotiva. O Fábio chegava a rir de mim quando eu começava a fazer biquinho.

Acho que faz parte do período de adaptação mesmo. Primeira semana com o novo interante da família, muitas visitas, sem tempo para cuidar da casa, dar atenção ao cachorro, enfim… muitas tarefas e novidades. Eu me sentia frustrada por não conseguir dar conta de tudo. Sou um tanto controladora, gosto de estar por dentro do que acontece ao meu redor. Muitas coisas prefiro fazer eu mesma do que pedir ajuda. Daí que quando o Vítor nasceu eu precisava me dedicar totalmente, quase 24 horas de atenção para ele. Sem falar que eu estava cansada. Sem falar que eu sentia dor. Foi complicado, mas tive que ceder e aceitar todo suporte que a minha família oferecia. No fim das contas deu tudo certo e o baby blues logo foi embora!

Claro que nem tudo é só alegria agora. Têm dias que não consigo fazer o que eu gostaria. Qualquer dorzinha de barriga muda a nossa rotina e deixa o bebê carente, querendo muito colinho. Aliás, ter uma criança em casa faz com que a vida não seja nada prevísivel. Então às vezes eu me sinto frustrada mesmo, não tem como fugir desse sentimento de #mãedemerda, principalmente quando eu fico sem saber o que fazer.

CORPO

Nova vida, novo corpo. E que corpo! Seios gigantes, estrias por todos os lados (algumas que eu não enxergava durante a gravidez me apavoraram depois que o barrigão foi embora).

Entretanto o que mais me apavorou mesmo depois do parto foi a pança. Gente, o que é aquilo? O Vítor nasceu domingo de noite. Segunda de manhã acordei às 6 e quis ir direto para o banho. Quando tirei o modelito gracioso do hospital fiquei chocada com a gelatina que estava instalada no meu ventre. É assim?! Tchau bebê, olá flacidez mode ON turbo total?!

Tive que recorrer à cinta pós parto tamanho GG (tão maravilhosa quanto um sutiã de amamentação BEGE). E aquele tréco me apertava de um jeito que tive que ser persistente para aguentar firme e não jogar a peça pela janela.

Mas agora, quase 2 meses depois, a barriga já está voltando para o lugar dela. Durante a gravidez engordei 13 quilos. Uma semana depois me pesei e tinha perdido 8. Atualmente não sei meu peso, porém acredito que mais uns 2 também devem ter ido embora.

MATERNIDADE

Não existem clichês palavras para descrever o sentimento de ser mãe. É algo que nasce no coração, brota no corpo e costura nossa alma.

Apaixonada, é assim que estou. Cada dia mais. Para sempre mais.