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Amamentação e volta ao trabalho: por que as mulheres fraquejam?

Faz uma semana que comecei a sair algumas manhãs para trabalhar e estudar. Uma semana de ordenha diária e de milhões de pensamentos negativos. Já teve choro, revolta, vontade de desistir. Mas enfim, a adaptação inicial serviu para eu perceber duas coisas: primeiro, que apesar de tudo, eu não quero desistir, e segundo, para eu entender como é fácil fraquejar (e porque muitas mulheres param de amamentar quando voltam ao trabalho).

Tirar leite exige paciência, tempo, entrega, vontade, disciplina. Não é só encaixar a bomba elétrica no peito e apertar o botão on. Talvez para alguém possa ser assim, mas para mim não está sendo. É difícil, cansativo, estressante. No caso de bomba manual ou ordenha manual… nem imagino.

O resultado: uma bola de neve. Eu começo a tirar e está tudo bem. O fluxo vai baixando e fico nervosa. Daí não vem mais nada. Fico estressada. Zero leite.

No meio disso, existem as opções, as alternativas. O leite em pó tá ali, na prateleira de qualquer mercado ou farmácia. Os comentários alheios também estão em todos os lugares.

Enfim, é fácil fraquejar por todo um contexto cultural e social. Por empresas que não disponibilizam local para ordenha ou intervalo para a mãe amamentar. Por uma rotina louca que não te permite parar 30 minutos para ficar em paz e tirar leite. Pela mídia que bombardeia informações equivocadas sobre industrializados para crianças. Por médicos que não levantam a bandeira da amamentação.

Agora, eu entendo e sinto na pele toda a pressão. O negócio é usar a força que tenta me empurrar para desistir em outro sentido, no sentido da persistência. Difícil? Sem dúvidas. Mas vamos lá, uma gota de leite por vez.

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Agora, mãe em tempo (praticamente) integral

A maternidade tem sido uma experiência incrivelmente intensa para mim. Isso desde que eu aprendi a apreciá-la na sua essência e totalidade. Não foi uma tarefa fácil, mas desde que descobri a palavra-chave (entrega, já falei muito sobre isso este ano) as coisas começaram a andar em outro ritmo.

Recentemente, no meu processo de construção e desconstrução materno, uma angústia começou a tomar conta: a volta ao trabalho. Eu deveria retornar no fim de janeiro, depois de 5 meses (4 de licença + 1 de férias), para a minha carga horária diária de 6 horas.

Já tinha feito planos e pensado em alternativas para continuar com a amamentação exclusiva. Fui na escola e conversei com as professoras. Mas nada aliviava o meu nervosismo.

Na verdade não era apenas a insegurança com a continuidade da amamentação que me preocupava. O fato é que eu não estava pronta para me separar da Clara. Além disso, durante a minha licença o Vítor começou a passar muito mais tempo comigo, apenas ficava longe enquanto estava na escola, entre 13 e 17h, e a proximidade fez um bem danado pra mim e pra ele. Ou seja, voltar a trabalhar mexeria com tudo isso.

Foi então que eu tomei uma decisão muito importante: ser mãe em tempo (praticamente) integral (já explico o praticamente). Eu decidi largar o meu emprego e ficar com os meus filhos (isso inclui tirar o Vítor da escola). Foi algo extremamente difícil, pois eu tinha estabilidade, bons colegas, um ótimo ambiente de trabalho. No entanto, tenho certeza, do fundo do meu coração, que agora nada é mais importante do que eu ficar com eles.

Na realidade, eu não vou parar total de trabalhar (aqui entra a parte do praticamente integral). Vou fazer trabalhos com uma agência, com horários flexíveis e atividades que podem ser feitas home office. É algo animador e empolgante, pois já tive a oportunidade de fazer freelas com eles e sempre foram experiências muito positivas.

É uma escolha temporária. Não posso dizer quanto tempo vai durar. Mas por mais que dure apenas uns 6 meses já faz muita diferença. Afinal, 6 meses para um adulto é praticamente nada. Já para um bebê de 3 meses… 6 meses é um salto incrível. Para o Vítor, que está com 1 ano e 8 meses, 6 meses também representa muito.

Pois bem, um novo tempo começa em 2013. Um mestrado para concluir, uma nova jornada profissional. Mas tudo com os meus dois pitocos do lado. E que venham os desafios!