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Amar dois filhos

Eu nunca duvidei da minha capacidade de amar o segundo filho. O que eu não sabia, no entanto, era que teria que me reapaixonar pelo Vítor após a chegada da irmã. Além disso, nem imaginava que tudo que eu fizesse por um pesaria na balança pelo que não fiz pelo outro.

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A segunda gravidez me despertou uma nova visão em relação à maternidade. Um ponto de vista marcado pela entrega e pela reflexão. Assim, assumi batalhas internas na busca pelo “fazer dar certo”. Uma das minhas lutas pessoais foi para amamentar, que, aliás, está funcionando e vai muito bem, obrigada!

Então, meu posicionamento mudou em diversos aspectos. Um exemplo muito claro é na questão de trabalhar. Quando o Vítor era pequeno, eu trabalhava e o deixava na escola sem questionar. Era algo feito no automático. Naquela época, eu não pensava em fazer diferente, não refletia sobre querer passar mais tempo com ele ou em alternativas para isso.

Já após o nascimento da Clara, trabalhar caiu drasticamente na minha escala de prioridades. Tanto que minha angústia com o fim da licença maternidade culminou no meu pedido de demissão. Abri mão de um emprego seguro por mais tempo com os meus filhos, decisão que me torna uma pessoa muito mais feliz neste momento.

Agora, posso aproveitar as crianças, tanto o Vítor quanto a Clara. No entanto, eu me sinto culpada pelo tempo perdido com o Vítor e com a mãe que eu fui para ele no início.

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Comecei a pensar em tudo isso nos últimos dias. O Vítor está em uma fase muito difícil, que exige uma dose extra de paciência. Cheio de personalidade, de vontades, se descobrindo como pessoa.

Acontece que eu não estou sabendo lidar muito bem com a situação. Confesso que algumas vezes perco o controle, grito, xingo. Ele fica ainda mais impaciente e tudo piora.

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Em um momento de estresse recente, fiquei muito abalada. Aquela sensação de fracasso, sabe? E a partir disso passei a repensar nossa relação e senti um vazio. Como se faltasse algo no nosso vínculo.

Fechei os olhos cheios de lágrimas e vi na minha mente um pequeno filme de memórias: um parto frio, marcado por inseguranças, cenas de uma amamentação fracassada, sem vontade.

Foi aí que me dei conta no quanto isso pode ter influenciado na nossa formação de vínculo. Não acredito que foram fatores determinantes, mas penso que fizeram sim diferença no meu envolvimento com o meu filho e no meu processo de entrega à maternidade.

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Desde então, tenho tentado me reapaixonar pelo Vítor e fortalecer a nossa relação. Digo reapaixonar, pois temos vivido no amor e ódio. Assim como ele está super falante e cada dia faz algo de uma fofura sem tamanho, odeio quando ele tem seus ataques de fúria e quando se expressa de forma agressiva. As mordidas e os tapas ainda são uma constante aqui em casa e estamos (todos, inclusive o Vítor) aprendendo a lidar com nossos sentimentos.

Enquanto isso, tenho tentado retomar alguns momentos que desde o nascimento da Clara eram exclusivos do pai, como banho e a hora de dormir. Mesmo com a pequena mamando no peito, já consigo me organizar para assumir algumas tarefas e, assim, ficar mais próxima do Vítor. Também tenho tentado organizar atividades e passeios só para nós dois.

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Colocar o dedo na ferida e revisitar a mãe que eu fui só me fizeram bem. Apesar de ter sido um processo doloroso, pelos arrependimentos e pela culpa, fez com que eu me reafirmasse nas minhas escolhas e convicções.

Assim, vamos indo. Tentando ser melhor a cada dia. Melhor para mim mesma, mas, acima de tudo, melhor para os meus filhos, que amo sem limites.

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Amamentação no divã

Hoje, minha pequena completa 5 meses. Desde que nasceu, ela só mama no peito. Quando preciso sair, tiro leite e deixo para o Fábio dar de colher.

Estamos quase alcançando a recomendação de diversos órgãos de saúde (como a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde) de manter a amamentação exclusiva por 6 meses. Para mim, isso é uma conquista, pois não tive sucesso no mesmo quesito com o Vítor.

Vítor começou a tomar complemento com 3 semanas. Meu bico estava machucado e amamentar chegava a me dar pânico. Ele mamava muito e mesmo assim chorava. Daí que todo mundo dizia: “essa criança só mama”, “ele tá com fome” e outros comentários que quem é mãe sabe muito bem. Meu emocional já estava frágil e acabei cedendo. Foi aí que as mamadeiras e o leite artificial entraram na nossa vida. Consegui manter a amamentação em conjunto até apenas 4 ou 5 meses.

O fracasso da primeira experiência foi resultado de um combo de: falta de informação (de saber que seria difícil, mas procurar formas para aliviar – como esvaziar o peito, qual a melhor pomada, etc.), falta de apoio e incentivo, fragilidade, inexperiência e falta de vontade.

Sim, faltou vontade de insistir. Amamentar significava isolamento social, pois eu tinha vergonha de dar o peito no meio de outras pessoas. Significava horas e horas de renúncia. Era quase um tempo perdido, pois eu ficava pensando em tudo que poderia fazer naquela meia hora em que tinha que ficar sentada amamentando.

Com a minha visão atual, chega a doer finalmente ver e entender os motivos que me levaram ao fracasso. Eu dizia que queria muito amamentar. Mas hoje olho para trás e me pergunto: eu realmente queria ou era apenas que o eu achava que deveria fazer?

Outra falha que eu percebi no processo de amamentação do Vítor foi criar expectativas. Eu tinha a expectativa que meu filho dormisse a noite inteira e mamasse de 3 em 3 horas. Óbvio que ele não nasceu com o botão de autoregulagem e nos primeiros meses não tinha como ser assim. Com a Clara, entendi isso e busquei deixar as coisas acontecerem. Sem anotar intervalos entre as mamadas, sem contar o número de vezes que ela acorda. É tudo sentimento e instinto. Está com fome? Peito. Está com sono? Peito. Está com febre? Peito. Simples assim.

Falando de tal forma pode parecer que a Clara fica pendurada no peito 24 horas por dia. Mas olha só que interessante… não!

Penso que através da amamentação eu transmito a segurança que ela precisa e isso tem sido fundamental para a gente seguir em frente. Até … (18 anos?).

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Feliz 5 meses, meu amor!

O que eu diria para uma grávida sobre parto

Eu diria que o parto ensina uma verdade constante da maternidade: a gente não controla nada.

No parto a gente não controla a mente, o corpo, a dor. A gente sente e age. É só emoção, nada de razão. É intensidade, é explosão. É amor.

Na maternidade a gente não controla as doenças, os acidentes, os perigos externos, as descobertas. A gente sente e age (ou reage). É muita emoção, embora de vez em quando a gente tente agir com a razão. É intensidade, é explosão. É amor.

Sendo assim, deixar o parto acontecer de forma natural é entregar, de coração aberto, o controle. É aceitar que dali em diante a vida ganha outro rumo, um caminho totalmente novo, cheio de surpresas.

Mas aceitar perder o controle não é fácil (e por isso, talvez, muitas mulheres optam por entregar seu parto para o médico e escolhem fazer uma cesárea). Exige perceber nosso corpo e nossa origem: somos animais, mamíferos.

Para alguns, parto é “feio”, pois envolve sangue, fezes, urina. Justamente por isso, penso eu, um “bom” parto (bom no sentido de ser algo visto positivamente pela mãe, como um momento realmente especial na sua plenitude, como processo completo, não só pelo nascimento do bebê) depende do quanto a mulher é capaz de se desprender de todo o resto e se conectar com o próprio corpo.

Não é fácil também pelo fator desconhecido. Pode acontecer qualquer dia, qualquer hora, começar em qualquer lugar. Tem gente que simplesmente não consegue lidar com isso, seja por medo, insegurança ou outro motivo.

Enfim, o que eu diria para uma grávida é que o parto é algo único e que merece ser vivido na sua totalidade. Não pode existir sensação melhor do que um filho saindo do ventre para o mundo. Até hoje, consigo fechar os olhos e reviver aquele segundo de silêncio entre um gemido e um choro. Um segundo de concretização de todo amor possível.

Por isso, eu diria: permita-se. Entregue-se à maternidade antes mesmo do seu filho nascer. Não deixer de viver algo tão intenso. Sublime.

Ocitocina, baby

Ocitocina, baby

Leia também: Do verbo parir

Para lembrar – 1 mês

Notas soltas sobre o primeiro mês da Clara

– No dia que a Clara nasceu fazia um calor absurdo, assim como no dia que ela completou 1 mês.

– A primeira música que a Clara ouviu fora da barriga foi “All you need is love”, dos Beatles, no berçário do hospital. Fábio que me contou.

– O primeiro encontro da Clara com o Vítor aconteceu no hospital. Ele foi ver a irmã com a vovó e o vovô e ficou todo feliz quando viu o bebê. Queria tocar na Clara e quando encostava dava risada.

– Não ficamos nem 12 horas no hospital. A Clara nasceu antes do meio dia e pelas 20h fomos para casa. Vítor dormiu na casa da minha mãe e acordou no meio da noite chamando por mim. Depois de um tempo olhando TV conseguiu pegar no sono de novo. No outro dia fomos almoçar com eles e o Vítor voltou para casa com a gente.

– E por falar em sono… a chegada da irmã afetou totalmente as noites aqui em casa. Vítor dormia a noite inteira, mas passou a acordar no meio da madrugada e ficar até 4 ou 5 horas ligadão. Agora que as coisas começaram a voltar ao normal.

– Com mais ou menos 15 dias a Clara ficou gripada. Foram três idas ao pediatra e alguns remédios para tentar evitar antibiótico.

– Mesmo com dificuldade para respirar em decorrência da gripe a Clara mamou e dormiu muito bem. Em um mês ela ganhou mais de um quilo (está com quase 5!) e já dorme por períodos mais longos de noite. A mamãe agradece as horinhas de sono (quando o Vítor não acorda).

– A Clara foi duas vezes para a universidade comigo: uma em palestra e outra em reunião do grupo de pesquisa do mestrado. É a queridinha da turma e dos professores. Todos apostam em uma menina muito interessada nos estudos (:

– Clara completou 1 mês em dia de Eleições. Foi comigo votar e tudo!

– E para resumir tantos momentos do primeiro mês da nossa pequena só posso dizer uma coisa: amor. Nossa família está transbordando de amor e assim estamos completos. Afinal, all you need is love.

O irmãozão

Desde que comecei a falar sobre a segunda gravidez umas das perguntas que mais escuto é: “E o Vítor, já entendeu a novidade?”.

No início o questionamento não fazia muito sentido, pois quando descobri que estava grávida o Vítor tinha apenas 9 meses. Obviamente, dizer pra ele “A mamãe comeu uma melancia” ou “A mamãe vai ter um bebê” não despertaria nenhuma reação direta.

Mas desde então vamos comentando o assunto, sem muitas pretensões.

Acontece que de duas semanas para cá ele começou a interagir com a barriga. Inventei uma brincadeira com o umbigo e fui insistindo no assunto. Agora quando pergunto: “Onde está a Clara?” ele procura a barriga. Falo para fazer carinho, dar beijo e assim vamos indo. De vez em quando o bebê começa a mexer, parece que respondendo para o irmão.

É uma delícia ver os dois se descobrindo. Só imagino depois, quando a pequena nascer…

A louca da virose

Tudo começou com um vômito no feriado, enquanto a mamãe estava no trabalho. É obvio que o vômito foi um daqueles de presença, justamente na cama de quem? Da mamãe e do papai. É claro também que sujou muito além do lençol, foi o kit completo, incluindo colchão e edredon. Legal, né? Não tão legal quanto a parte 2, a repetição do episódio na mesma tarde, desta vez no carrinho.

Acontece que o bebê tem uma mãe grávida e que fica facilmente enjoada (ainda!). E a mãe simplesmente começou a vomitar junto. Se foi frescura ou virose eu não sei. Só sei que a Páscoa foi assim: nada de chocolate, cama e muita roupa suja por todos os lados.

Felizmente hoje estamos melhor, mas daí foi a vez do papai ficar ruim. O que me resta dizer? Pelo menos um de cada vez, né?

E amanhã big baby faz 1 ano! É muita emoção para uma pobre mãe. No entanto, aqui em casa tinha que ter emoção ao quadrado, afinal, tudo tem sido multiplicado este ano (assim como desgraça pouca é bobagem, sabecomé?). Então, vai ser comemoração com galo na cabeça.

Justamente hoje Vítor caiu feio pela primeira vez e ficou com a parede marcada na testa. Nada demais, mas rolou aquele mamma-drama-feelings, acentuado por frases do gênero: “justo na semana do aniversário”. Ok, estamos bem e prontos para encher o pequeno de beijos amanhã! Vocês prometem que passam aqui para ler as minhas poucas linhas cheias de mimimi materno e muito amor?

Teoria sobre casamento depois do bebê

Tenho uma teoria de que o casamento que sobrevive a gravidez, aos 3 primeiros meses do bebê e às crises de (complete conforme experiência pessoal, algumas alternativas: cólica, otite, nascimento dos dentes) tem tudo para ser eterno. O pensamento é baseado nas seguintes situações:

Gravidez: dividida em três momentos distintos.

– Primeiro trimestre: crise inicial. Vamos ter um bebê? Vamos ter um bebê! Vamos ter um bebê. Vômitos.

– Segundo trimestre: crise intermediária. Vou ficar gorda. Meu peito vai cair. Aparecimento das primeiras estrias. As roupas não servem mais. Vontade de comer o mundo.

– Terceiro trimestre: mais crise. Tenho que arrumar tudo. Mil compras. Mil loucuras com o chá do bebê. Pé de elefante. Rosto inchado. Quando vai nascer? Como vai ser o parto? Nova crise. O bebê não quer nascer. Azia. Falta posição para dormir. Ansiedade.

Bebê em casa: vontade de matar cada visita que chega. Choro indecifrável. Sono constante. (des)Entendimento com a amamentação. Baby blues. Noites sem dormir. Casa bagunçada. Crise. Sou mãe, e agora? Nunca mais vou ter um segundo de paz?

Crises: caos!

* Post com alto teor de verdade e viagens de uma mente confusa após trezentas horas tentando de TU-DO para fazer um bebê com febre e dentes superiores chegando dormir. Mas sim, amiga, se o teu marido/noivo/namorado/namorido/ficante/peguete vulgo pai do teu filho aguentou firme toda tempestade emocional relatada provavelmente é porque te ama MUITO.